Carandiru

Quando
o médico Drauzio Varella resolve fazer um trabalho
de prevenção à AIDS na Casa de Detenção
de São Paulo toma contato com o que, aqui fora, temos
até medo de imaginar: violência, superlotação,
instalações precárias, falta de assistência
médica e jurídica, falta de tudo. Com seus mais
de sete mil detentos, merece sua fama de "inferno na
terra". Porém, nosso personagem logo percebe que,
mesmo vivendo numa situação limite, os internos
não representam figuras demoníacas. Ao contrário,
ele testemunha solidariedade, organização e,
acima de tudo, uma grande disposição de viver.
Ficha Técnica
Título original: Carandiru
Gênero: Drama
Duração: 146 min.
Lançamento (Brasil): 2002
Site: www.carandiru.com.br
Distribuição: Sony Pictures Classics / Columbia
Tristar do Brasil
Direção: Hector
Babenco
Roteiro: Hector
Babenco, Fernando Bonassi e Victor Navas
Produção: HB Filmes, Globo Filmes e Columbia Tristar
do Brasil
Co-produtores: Flávio R. Tambellini e Fabiano
Gullane
Direção de produção: Caio
Gullane
Produtor Associado: Daniel Filho
Coordenação de pós-produção:
Alessandra Casolari
Música: André Abujamra
Som direto: Romeu Quinto
Edição de som: Elisa Paley e Miriam Biderman
Fotografia: Walter Carvalho ABC
Desenho de produção:
Direção de arte: Clóvis Bueno
Figurino: Cristina Camargo
Edição: Mauro Alice
Maquiagem: Gabi Moraes
Casting: Vivian Golombek
Pôsters
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Premiações
- Prêmio Glauber Rocha, concedido pelo 25º Festival
Internacional do Novo Cinema Latino-Americano de Havana.
Curiosidades
- Baseado no livro homônimo do médico Dráuzio
Varella, de 1999, e que vendeu maide 220 mil cópias.
- Orçamento de R$ 12 milhões e foi um projeto
apoiado pelo BNDES com a quantia de R$ 400 mil.
- A produção conta com cerca de oito (8) mil
figurantes.
- Carandiru mobilizou, do roteiro pronto à primeira
cópia e lançamento, três anos de trabalho.
A equipe técnica reuniu mais de 250 profissionais.
- Hector Babenco escreveu, com Victor Navas e Fernando Bonassi,
nove versões do roteiro.
- Para mobilizar positivamente os presos do Carandiru, que
ainda viviam em vários de seus pavilhões (só
o dois e o seis estavam desativados), a produção
do filme encomendou um número especial da revista "Viralata",
supervisionada por Drauzio Varella e editada por Paulo Garfunkel
& Líbero Malavoglia.
- O filme conta com 40 locações/cenários.
As locações foram todas feitas em torno da grande
São Paulo e as cenas do Carandiru foram filmadas em
três lugares diferentes na cadeia do hipódromo,
no Presídio do Carandiru, além de estúdio.
- A construção dos cenários nos Estúdios
da Vera Cruz consumiu 12 semanas de intenso trabalho, com
uma equipe de mais de 150 pessoas. E contou com apoio do Governo
de São Paulo, através do Projeto Nova Vera Cruz
da TV Cultura e da Prefeitura de São Bernardo do Campo.
- O elenco conta com 26 atores principais, 120 secundários,
além de oito mil diárias de figurantes. Três
meses de intenso trabalho de ensaio qualificaram os 146 atores
de maior ou menor destaque no filme.
- As tatuagens dos atores são fruto de meticuloso trabalho
da maquiadora Gabi Moraes e sua equipe. Só as tatuagens,
espalhadas pelos corpos dos protagonistas, coadjuvantes e
extras, ultrapassaram 700 moldes diferentes.
- As filmagens duraram 14 semanas. "Chegamos a construir
cenários de 500 m2, com reprodução de
um andar inteiro do Pavilhão Nove, tudo acabado em
grades de ferro, com grafites e desenhos nas paredes",
conta Babenco.
- Carandiru consumiu 600 latas de negativo, o correspondente
a 72 KM de imagens impressas. Foram utilizadas duas câmaras
35 mm. Em seqüências especiais chegamos a filmar
com até cinco câmaras.
- A montagem do filme consumiu oito meses de trabalho. Mais
quatro na montagem de som. A mixagem foi feita em Nova York,
durante cinco semanas.
- Três seqüências mobilizaram centenas de
atores e extras. Um dia de visita de familiares aos presos
do Carandiru contou com mais de 300 extras (homens, mulheres,
adolescentes e crianças). Mesmo número mobilizado
em partida de futebol realizada no pátio do presídio.
Para a seqüência do Massacre do Carandiru, foram
mobilizadas mais de mil pessoas, além de seis cavalos,
seis cães, armamento pesado e litros e litros de sangue
cenográfico.
- A Casa de Detenção de São Paulo, conhecida
popularmente como Presídio do Carandiru, foi inaugurada
em 1956 pelo então prefeito Jânio Quadros. Passaram-se
46 anos até que, em oito de dezembro de 2002, o governador
Geraldo Alckmin comandou, pessoalmente, a implosão
de três de seus pavilhões. Bastaram oito
segundos para que paredes, celas e solitárias se transformassem
em pó. E abrissem espaço para a construção
de complexo de lazer e cultura, denominado Parque da Juventude.
A equipe de Babenco registrou a implosão com oito câmaras.
As imagens encerram o filme.
- Significados da palavra carandiru, Origem Tupi-guarani,
Combinação das palavras CARANDÁ + IRU:
. "Abelha da carnaúba" Carandá
= Carnaúba (espécie de palmeira) + Iru = Abelha
(Fonte: Prof. John Monteiro, Unicamp)
. "Recipiente feito de carandá"
Carandá = Carnaúba + Iru = Recipiente (Fonte:
Luis Caldas Tibiriçá, Traço Editora)
- Significados pelo aspecto histórico:
. "Onde os ratos são dilacerados ",
( Fonte: Depoimento dado ao produtor-executivo, Fabiano Gullane,
em visita à Penitenciária 15/11/2000).
. "Prisão indígena similar
à senzala dos negros", Em 1967, a Sra Maria da
Penha realizou pesquisa sobre a história do bairro
de Santana e constatou que, no local onde situa-se o Carandiru,
existiu uma fazenda. Constatou, também, resíduos
preservados de uma senzala. (Fonte: Penha Diretora
da Penitenciária Feminina da Capital)
. Era um córrego do bairro de Santana.
O córrego Carandiru banhava a Fazenda Jesuíta,
no atual bairro de Santana, onde foi erguido o Complexo Penitenciário
do Carandiru. Consulta feita por Dina (Bibliotecária
da FAU USP - Fonte: "Bairro de Santana",
livro de Maria Cecília Teixeira Mendes Torres, Editado
pela Prefeitura de São Paulo, Depto de Cultura, 1970)
- Tambem recebeu o título de Estação
Carandiru.
- Milton Gonçalves trabalhou tambem com Babenco em
Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia e O Beijo
da Mulher Aranha.
- R$ 9,5 milhões total arrecadado por Carandiru em
dez dias de exibição 468.293 público
do primeiro fim de semana de Carandiru. Desde 1990, a maior
bilheteria de abertura de filme nacional era Lua de Cristal
(1990), com 360 mil espectadores.