Espelho da Carne
Num leilão o executivo em ascenção Álvaro, arremata um espelho que pertencera ao quarto principal do último bordel de luxo da cidade e leva-o para casa, onde decide com sua esposa Helena (Hileana Menezes), instalá-lo na suíte principal do novo apartamento num condomínio de classe na Barra da Tijuca. O espelho emana um perfume e, arrebatados por seu odor, os dois se deixam tomar por um intenso desejo. Naquela noite recebem um casal amigo do prédio, Jairo e Ana, para uma partida de biriba. Enquanto os quatros admiram a recém adquirida aquisição, Leila, recém separada moradora do prédio, vem trazer uma furadeira para fixar o espelho, diante do qual os cinco se admiram. De noite Helena e Álvaro fazem amor como nunca. Na manhã seguinte Helena, sentindo-se solitária, convida Leila para um café. Jairo, que esquecera seus documentos na noite anterior, volta ao apartamento e propõe às amigas que reservem o dia para se divertirem. O trio passa a manhã no quarto bebendo e jogando pôquer. Quando adormece Helena vê um brilho avermelhado e ouve uma voz sussurrante que parece vir do espelho, repetindo: "sodomia, felação, sodomia", deixando-a excitada e atemorizada. Álvaro e Jairo, num mano a mano de poquer, após beberem muito, decidem apostar nas cartas a posse sexual um do outro. Jairo vence e Álvaro paga a aposta. Enquanto caminha no condomínio Ana conhece um rapaz e marcam um encontro na casa de Helena. Depois do encontro delirante de Ana, Helena resolve propor ao marido um 'ménage à trois' com Leila. Os três se saciam sob a luz avermelhada do espelho, mas Helena continua dormindo mal, atormentada pelas vozes que escuta durante seu sono. No dia seguinte chama Ana para conversar, desabafa sua angústia e a sensação de estar perdida. As duas acabam fazendo sexo e, quando Leila chega ao apartamento, as três iniciam um jogo de sedução, que se completa na chegada de Jairo e Álvaro. No quarto em penumbra o espelho finalmente emite sua luz avermelhada para os cinco. Excitados, eles se desnudam na frente do espelho e percebem em seu interior uma forma demoníaca. Agora precisam tomar uma decisão, quebram o espelho ou se entregam ao desvairio sexual que a figura demoníaca convida?
Ficha Técnica
Título original: Espelho da Carne
Gênero: Comédia
Duração: 105min.
Lançamento (Brasil): 1984
Distribuição: Embrafilme
Direção: Antônio Carlos Fontoura
Assistente de direção: Luiz Carlos La Saigne e Georgia de Castro
Roteiro: Antônio Carlos Fontoura
Produção Executiva: Antônio Carlos Fontoura
Direção de Produção: César Cavalcanti
Co-produção: Sky Light Cinema e Enigma Filmes
Música: David Tygel
Som: Ercília Cardillo e Ney Fernandes
Som direto: Ismael Cordeiro
Mixagem: Roberto Carvalho
Assistente de Som: Luiz Antônio Aragão
Fotografia: Carlos Egberto e Ney Fernandes
Câmera: Antônio Carlos Seabra
Assistente de câmera: Gui Gonçalves
Direção Artística: Carlos Prieto
Figurinos: Carlos Prieto
Guarda-Roupa: Ilma Santos
Montagem: Denise Fontoura
Assistente de Montagem: Ney Fernandes, Evelise Aragão e Alina Sack
Continuidade: Antônio Carlos Seabra
Maquiagem: Carlos Prieto
Elenco
Hileana Menezes (Helena Cardoso)
Dênis Carvalho (Alvaro Cardoso)
Daniel Filho (Jairo Almeida)
Joana Fomm (Ana Almeida)
Maria Zilda (Leila Assunção)
Moacyr Deriquén (Leiloeiro)
Iara Neiva (Diarista)
Roberto Bataglin (Rapaz)
Ivy Fernandes (Mauro)
Luca de Castro (Rival no leilão)
Odenir Fraga (Rival no leilão)
Almir Telles (Rival no leilão)
Francisco Mascarenhas
Pôsters
Premiações
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Curiosidades
- Baseado na peça teatral de Vicente Pereira
- Certificado de Produto Brasileiro 812 de 06.02.1985.Certificado de Censura A-17751 de 27 de março de 1985
- Exibido no Rio de Janeiro a 12.08.1985, no São Luiz 2, no Barra 2, no Copacabana, no Odeon, no Carioca, no Imperator, no Madureia 1, no Olaria e no Icaraí em Niterói. Exibido em São Paulo a 07.11.1985, no Ipiranga 1, no Astor e circuito.
- Texto inicial: "O coração tem duas casas / moram nêle sem se ver./ Numa a dor, noutra, o prazer.../ Cuidado, prazer, cautela,/ Canta e ri, mas devagar... / Não vá a dor acordar" (Reiner Maria Rilke)
- O roteiro foi criado a partir de uma peça teatral escrita pelo dramaturgo Vicente Pereira, que convidou Fontoura para dirigi-la. Fontoura propôs sua adaptação para o cinema e transportou a ambiência da classe média de Copacabana para o ambiente burguês de um condomínio emergente na Barra da Tijuca.
- Fontoura, na ocasião dirigia a dupla teatral A Fome e a Vontade de Comer, formada por Hileana Menezes e Vicente Pereira.
- No Festival de Cinema de Gramado o filme receberia quatro prêmios, mas uma escritora integrande do juri ameaçou retirar-se do mesmo se o filme recebesse qualquer prêmio. O juri aceitou sua ameaça e o filme não foi sequer mencionado na premiação.
- Fontoura reagiu à decisão do juri com um artigo publicado na Revista de Domingo do Jornal do Brasil, intitulado "Aids não pega pela vista."
- Outro juri não agiu da mesma forma e Fontoura conquistou o Prêmio Especial Air France por seu trabalho de direção do filme.
- O filme fez nas salas de cinema uma bilheteria de 700.000 espectadores.