
Depois de fugir de um hospital psiquiátrico, um personagem tragicômico narra, na mesa de um bar, a história, na verdade, seu próprio drama. Advogado, desquitado, com filhos, vive o drama do desemprego, num ambiente claustrofóbico. Sua ligação com o mundo exterior são as notícias da TV. Diante do aparelho, em que a realidade ultrapassa a ficção, o drama do personagem compete com os filmes e reportagens exibidos na TV. Ele vivencia diversos estados de espírito, mergulhando na mais completa solidão. Essa animosidade homem x televisão aumenta, progressivamente, o estado de depressão do advogado que, diversas vezes, tenta o suicídio. No entanto, a paixão platônica por uma estrela de TV e o prêmio de um grande sorteio de final de ano fazem com que a vida do personagem se modifique radicalmente. (Texto extraído do livro Cinema Brasileiro, um balanço dos cinco anos da retomada do cinema nacional, coordenado por Helena Salem, Minc, RJ, 1999).