Também Somos Irmãos

Um viúvo cinquentão, que por não ter filhos adota quatro crianças: duas brancas e duas negras. Na infância tudo correu bem, mas com o correr do tempo, as coisas foram se modifcando. As limitações aos negros vão se acentuando e chegam a tal ponto que se transformam em verdadeiras humilhações.
Ficha Técnica
Título original: Também Somos Irmãos
Gênero: Drama
Duração:
Lançamento (Brasil): 1949
Distribuição: U.C.B. - União Cinematográfica Brasileira
Direção: José Carlos Burle
Assistente de direção: Roberto Machado
Roteiro: Alinor Azevedo
Co-produção: Atlântida Cinematográfica
Música: Lírio Panicali
Canções: José Carlos Burle e Luiz Peixoto
Som: Jorge Coutinho
Fotografia: Edgar Brasil
Cenografia: José Cajado Filho
Montagem: Waldemar Noya
Pôsters
Premiações
- Melhor Ator (Grande Otelo), Associação Brasileira de Cronistas Cinematográficos, RJ, 1949
- Melhor Atriz (Vera Nunes), Prêmio "Revista A Cena Muda", RJ, 1949.
Curiosidades
- O problema do preconceito racial no Brasil foi abordado neste filme, pela primeira vez no Cinema Brasileiro.
- Agnaldo Rayol (1937- ) aos doze anos de idade, fazia seu debut no cinema como menino-prodígio. Tornar-se-ia um dos maiores cantores brasileiros e participaria de outros filmes, inclusive como protagonista principal, como em Agnaldo, perigo à vista (1968).
- Estréia de Jece Valadão (1930- ) no cinema. Natural de Murundu, RJ, cresce em Cachoeiro de Itapemirim, ES. Em 1948 estréia no rádio. Nos anos subsequentes desenvolveria sólida carreira no cinema, primeiro como ator e depois como produtor/diretor, sempre pela Magnus Filmes, sua produtora. Em 1962 produz seu filme mais importante, Os cafajestes. O último filme que produziu sequer foi lançado, A serpente, em 1992, mas tem feito participações especiais em outras produções.
- "Também somos irmãos é considerado pelo professor Roberto Stam, um estudioso do Cinema Brasileiro nos EUA, o filme mais importante sobre a questão racial feito no Brasil. Curiosamente, ele não sabia da existência do filme e, ao tomar conhecimento de que a Atlântida dispunha de uma cópia em 16mm, fez questão de vir ao Brasil para assisti-lo. E ainda por cima, deu uma canja, improvisando uma emocionante palestra sobre o filme" - comentários de Eduardo Giffoni Flórido.
- Sinopse extendida:
Um viúvo cinquentão, que por não ter filhos adota quatro crianças: duas brancas e duas negras. Na infância tudo correu bem, mas com o correr do tempo, as coisas foram se modifcando. As limitações aos negros vão se acentuando e chegam a tal ponto que se transformam em verdadeiras humilhações. Camargo a tudo se submete, porque amando Vera em segredo, quer terminar seus estudos de advocacia e, quem sabe, vir a ser alguém e merecê-la. Otelo, sem pretensões e sem estímulo, abandona o lar e vai viver no morro entre marginais. Camargo tem também grande ternura por seu irmão branco caçula, que interpreta com linda voz as canções que ele compõe nas horas vagas. Acontece que o velho descobre os excessos de zelo que tem com Vera e o expulsa de casa, proibindo até de visitá-los. Ele então vai residir numa favela e é lá que se forma em Direito. Convida Vera para a formatura, mas ela é proibida pelo pai. Ele espera em vão. Dias depois Otelo, já um marginal, é preso e processado por contravenção. Camargo tem aí a sua primeira causa. Vai defender em juízo o próprio irmão, e o faz de maneira tão comovente, que consegue a absolvição. Nesta época surge um requintado vigarista, de boa presença e bem falante que se aproxima de Vera para tentar o golpe do baú. Otelo, que desconhece os sentimentos de Camargo para com ela, aceita servir de intermediário mediante promessa de boa remuneração. Depois do breve namoro, já se fala em noivado. Camargo descobre a trama e procura o velho para impedir que isso aconteça, mas o velho o escorraça alegando ciúme da sua parte. Na noite do pedido de casamento, Rayol canta uma canção de autoria de Camargo, cuja letra esclarece a Vera, através de símbolos, seus reais sentimentos para com ela. Logo a seguir, alguém avisa a Dória que no jardim tem um preto que quer falar com ele. Achando ser Otelo, ele vai atendê-lo, mas se surpreende ao encontrar Camargo. Inicia-se uma ríspida discussão, logo seguida de agressão física. A luta é violenta e Camargo vai levando a melhor. Dória saca um revólver. Camargo tenta desarmá-lo, mas a arma dispara, atingindo o adversário, que tem morte instantânea. Rayol, que vinha chegando, assiste perplexo ao trágico desfecho. Dado os antecedentes, toda culpa recai sobre Otelo, que imediatamente é preso. Rayol resiste a todas as pressões e ameaças para contar o que viu. Estava escuro, nada viu, nada sabe. Camargo ao ver nos jornais que seu irmão foi detido em seu lugar, vai procurá-lo e pergunta-lhe porque confessou. Otelo responde que mais dia menos dia, aquele será o seu fim. Além disso, Camargo solto poderá defendê-lo, enquanto ele solto nada poderá fazer. Camargo não aceita seu sacrifício e resolve se entregar (...) Rayol, desesperado, conta a Vera o que presenciou, mas sabe que por ser menor, o seu depoimento não terá valor jurídico. Só ela poderá salvá-lo. Ela reluta, mas por fim acaba cedendo: irá depor como se também tivesse presenciado. E é o seu testemunho, somado ao fato do revólver pertencer a Dória e nele não constarem as impressões digitais de Camargo, que lhe valeram a absolvição. Vera continua traumatizada pelo drama. Camargo a procura para agradecer e pedir perdão pelos sofrimentos que causou. Ela responde-lhe que nada tem a agradecer, ela só fez o que pareceu justo, nada tem a lhe perdoar - mas prefere que ele não a procure nunca mais.