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Tudo É Verdade - It's All True

Semi-documentário inacabado, que Orson Welles dirigiu no Brasil. Previsto para ter quatro etapas, uma a respeito dos Estados Unidos, outra do México e duas sobre o Brasil, abordando o Carnaval Carioca e os jangadeiros nordestinos. Seriam apresentados aspectos de todos os pontos do país, a partir de Fortaleza, Recife, Olinda, Bahia e Ouro Preto.

Ficha Técnica

Título original: Tudo É Verdade - It's All True
Gênero: Semi-Documentário
Duração:
Lançamento (Brasil): 1942
Distribuição:
Direção: Orson Welles
Assistente de direção: Richard Wilson
Roteiro: Orson Welles
Argumento: Herivelto Martins (parte brasileira)
Produção: Orson Welles
Direção de Produção: Lynn Shores
Estúdios: Cinédia
Co-produção: Cinedia, RKO Radio Pictures e Mercury Productions Inc.
Música:
Som: John L. C
Assistente de Som: W.M. Turner e Fred
Fotografia: W. Howard Green, Eddie Pyle, Henry Imus, Sis Zipser, J.M. Gustafson, Jorge de Castro, Harry Wild, Joe Birock e Willard Barth
Desenho de produção: Nathan Giraldez e Luiz de Barros
Edição:

Elenco

Manuel Olímpio Meira (Jangadeiro Jacaré)
Raimundo Correia Lima (Jangadeiro Tatá)
Manuel Pereira da Silva (Jangadeiro Manuel Preto)
Jerônimo André de Souza (Jangadeiro)
Carmen Costa
Eladir Porto
Zilah Fonseca
Dalva de Oliveira
Linda Batista
Aloísio Castro
Anselmo Duarte
Erasmo Silva
Carlos Tovar
Francisco Alves
Heitor dos Prazeres
Herivelto Martins
Nestor Holanda
Grande Otelo
Pery Ribeiro
Henricão
Aloísio de Castro

Pôsters

Premiações

-

Curiosidades

- Versão inacabada.

- Nelson Rockfeller, coordenador do Inter-American Affairs, convidou Orson Welles para dirigir um filme com a finalidade de estreitar as relações diplomáticas entre os Estados Unidos e as nações da América Latina. Welles concebeu quatro etapas distintas: uma a respeito dos Estados Unidos (sobre o jazz), outra com relação ao México (uma história de tourada), e duas sobre o Brasil, sendo uma sobre o carnaval carioca e outra com a reconstituição da história dos jangadeiros nordestinos que, com sua embarcação, saíram do Ceará para um encontro com o presidente Getúlio Vargas de quem cobrariam assistência social para seus companheiros de trabalho."Seriam apresentados aspectos de todos os pontos do Brasil, a partir de Fortaleza, Recife, Olinda com suas igrejas e suas praias, Bahia, e Ouro Preto com as solenidades da Semana Santa."

- Grande Otelo, como uma espécie de "tocador de flauta de Hamelin", atuava como o mestre de cerimônias.

- Uma tragédia envolvendo os quatro jangadeiros do que viria a ser o outro episódio brasileiro paralisou a produção. Em 19.05.1942, durante as filmagens da encenação da chegada dos quatro jangadeiros à baía da Guanabara, uma onda arrastou o líder Jacaré, que morreu afogado.

- Welles, desafiando os produtores, decide então viajar para o Ceará para documentar a vida dos pescadores, suas jangadas e o trabalho das mulheres tecelãs, além de encenar a morte de um jangadeiro no mar e seu triste funeral na aldeia.

- Pouco restou das imagens com Grande Otelo. Uma arquivista dos depósitos da Paramount, companhia que comprou o espólio da RKO em 1958, pressionada pelo Departamento de Prevenção a Incêndios da empresa devido ao alto risco que a deterioração do material provocava ou temerosa de que houvesse uma ação judicial reclamando os direitos autorais por conta da existência de um ator, destruiu a maior parte do material em que Grande Otelo aparecia. Sobraram apenas algumas poucas tomadas.

- Com a paralisação das filmagens de "It's all true", que seriam feitas por Orson Welles, o cinema brasileiro perdeu uma das maiores oportunidades de divulgação. Orson Welles desembarcou com uma equipe de 26 pessoas, no começo de fevereiro de 1942. Essa equipe foi acrescida de artistas e técnicos brasileiros. George Fanto e Reginaldo Calmon, da equipe Cinédia, com uma câmera Mitchell e uma Eyemo, e Roberto Cavalieri, com aparelho de gravação em disco da Cinédia, participaram das filmagens no Ceará e na Bahia.

- O filme teria quatro etapas distintas: uma a respeito dos Estados Unidos, outra com relação ao México, e duas sobre o Brasil: uma abordando o Carnaval Carioca e os jangadeiros nordestinos. Seriam apresentados aspectos de todos os pontos do país, a partir de Fortaleza, Recife, Olinda - igrejas e praias -, Bahia e Ouro Preto, com as solenidades da Semana Santa.

- Durante sua estada no Brasil, a equipe de Orson Welles filmou: a) três festejos pré-carnavalescos, no Rio de Janeiro e subúrbios;
b) quatro noites e três dias do carnaval carioca (filmados com grandes dificuldades pela insuficiência de luz e de gravação sonora, mas assim mesmo coroados de êxito);
c) paisagens naturais do Rio de Janeiro;
d) testes de pescadores em Fortaleza, a mil e oitocentas milhas do Rio;
e) as celebrações religiosas da Semana Santa, em Ouro preto;
f) todos os "clubes de samba" do Rio, como eram chamados, muitos dos quais encenados com exclusividade;
g) a reconstituição da chegada, no Rio de Janeiro, dos famosos jangadeiros nordestinos, que percorreram mil e oitocentas milhas para reclamarem do governo a devida assistência social para a classe;
h) duas semanas de filmagens, close-ups, gravação de discos e cenários especiais no estúdio da Cinédia, alugado por Orson Welles. Durante quase todo este período, a equipe trabalhou dia e noite, gravando a tarde e filmando à noite.
- No palco A foi reproduzido um baile carnavalesco, com mesas dispostas convencionalmente, 50 extras, serpentinas,, confetes e músicas gravadas. Ao som das gravações, a multidão "dublava" as canções e os pares dançavam ante as câmeras. Depois que a maior parte de sua equipe voltou a Hollywood, Orson Welles e três de seus assistentes ainda 'ficaram no Brasil para a filmagem, em preto e branco, de algumas seqüências retratando a vida do chefe dos quatro jangadeiros - o "jacaré" - que morreu lamentavelmente enquanto representava a reconstituição da ousada aventura, em sua frágil jangada, a vinda épica de Fortaleza ao Rio de Janeiro.

- Orson Welles tinha decidido filmar por conta própria, depois que a RKO resolveu fazer, também, filmes de guerra. Para o episódio cearense, foi encaixotado todo o material que deveria ficar mas, finalmente, foi levado para os Estados Unidos por ter sido considerado "material de guerra". Foram, então, suspensas as filmagens, depois de milhares de metros produzidos. Nessa viagem ao Brasil, Orson Welles se entusiasmou por nosso país, a começar pelo estúdio da Cinédia. Em entrevista ao jornalista H., 8 de abril de 1942: "Neste estúdio - disse ele - com um equipamento um pouco melhor do que o que ele possui, pode-se fazer ótimos filmes. Porque está muito bem construído".

- Interrogado se usaria artistas brasileiros, respondeu: "- Claro! Tenho visto esplêndidos talentos. E espero ter chances de incluí-los nos meus filmes". E observou ter visto aqui o mesmo que em outros países: "falta de confiança nos valores nacionais". " - O cinema brasileiro - acrescentou - poderia florescer admiravelmente. E penso apenas no mundo de temas novos a explorar, que existe no Brasil. Os vaqueiros, os seringais, a gold rush em Minas, as figuras de D. João VI, de D. Pedro I e de D. Pedro II. Há assuntos maravilhosos, brasileiros, que fariam sensacionais argumentos".

- O ator e diretor não falava apenas para ser agradável. Mostrava-se realmente entusiasmado pelo manancial que acabara de descobrir e pela perspectiva de explorar um campo praticamente inexplorado: o cinema brasileiro.

- Acrescentou que o cinema mexicano começou sem estímulo e era bela realidade. Adhemar Gonzaga, presente a esse diálogo, apenas sorria, ao ver que Orson Welles espontaneamente dava as opiniões que ele próprio sempre deu em toda sua vida.

- Argumento de Herivelto Martins parte brasileira.

- Cenografia do Baile do Teatro Municipal feita especialmente para o filme por Luiz de Barros

- Fotografia a cores por W. Howard Green, Eddie Pyle, Henry Imus, Sis Zipser, J.M. Gustafson e Jorge de Castro (parte brasileira). Fotografia em preto e branco por Harry Wild, Joe Birock e Willard Barth

- Locações em Fortaleza, Recife e Salvador

- - Depois de meses de filmagens, a RKO decide paralisar as filmagens, para desespero de Welles. Impossibilitado de concluir o filme, o diretor retorna, frustrado, aos Estados Unidos.

- Em 1986, foi produzido, com direção de Richard Wilson, um curta-metragem no qual se reconstitui a história dos 4 jangadeiros e se reproduz a parte ficcional filmada por Welles em Fortaleza. Em 1993, Richard Wilson, Myron Meisel e Bill Krohn com a restauração de 309 latas de negativo encontradas no estúdio da Paramount, realizam um longa-metragem em 2 partes: um documentário sobre a produção do filme no Brasil e no México e as imagens, entre as quais se incluem o que restou da filmagem em cores do carnaval carioca e a epopéia dos jangadeiros, em preto e branco.

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