Filmes

Wilsinho Galiléia

Reconstrução da vida trágica de Wilsinho, transformado em bandido perigoso desde os 14 anos, várias vezes preso e finalmente fuzilado pela polícia na casa de sua namorada Geni.

Ficha Técnica

Título original: Wilsinho Galiléia
Gênero: Semi-Documentário
Duração: 60 min.
Lançamento (Brasil): 1978
Distribuição:
Direção: João Batista de Andrade
Assistente de direção: Alain Fresnot
Roteiro: João Batista de Andrade
Pesquisa: Décio Nitrini
Coordenação: Fernando Pacheco Jordão
Direção de Produção: Heloísa de Campos
Co-produção: Raiz Produções Cinematográficas e TV Globo
Fotografia: Adilson Ruiz
Câmera: Adilson Ruiz
Assistente de câmera: Paulo Rigoli
Som direto: Clodomiro Bacellar
Mixagem: Walter Rogério
Maquiagem: Paulo Lago
Edição: Fernando Pacheco Jordão
Montagem: Helder Tito

Elenco

Paulo Weudes
Gilberto Moura
Ivan José
Telma Helena
Cláudia de Castro

Pôsters

Premiações

-

Curiosidades

- Produzido na bitola 16mm sob encomenda para a Rede Globo, para exibição no programa Globo Repórter, o filme mescla cenas documentais, depoimentos fictícios e reais. Por causa de inúmeros problemas com a Censura, este filme nunca foi exibido comercialmente nos cinemas.

- Em 1978, João Batista faz o documentário Wilsinho Galiléia, seguindo a linha de misturar depoimentos e encenação, para contar a história do criminoso Wilson Paulino da Silva, que desde os 14 anos, já vinha colecionando mais de 17 homicídios e assaltos à mão armada e que, pouco antes de fazer 18, foi fuzilado numa emboscada da Polícia, que invadiu a casa onde estava refugiado. Divido em duas partes, o programa iria ao ar às 21 horas do dia 31 de outubro e do dia 7 de novembro. A censura proíbe a exibição. João Batista de Andrade se desliga da Rede Globo.

- Já com chamadas na televisão e com divulgação na imprensa, o tão aguardado programa não pôde ir ao ar. O Jornal do Brasil anunciava como o "programa que procura reconstruir vida e morte de um jovem marginal, levantando e discutindo os motivos que o levaram a esta marginalização" (31/09/1978, p.07). Na Folha de São Paulo, na matéria intitulada "Algumas histórias brasileiras para o consumo", lia-se: "Às 9 da noite o programa que deve ser necessariamente visto: Globo Repórter Documento apresentando Wilsinho Galiléia, a história verídica de um menino que se tornou bandido em conseqüência da marginalização econômico-social que é imposta a um grande segmento da sociedade. Wilsinho Galiléia, 17 anos, foi morto pela polícia em agosto deste ano. O documento é do cineasta João Batista e do repórter Dácio Nitrini que fez a cobertura do acontecimento para a Rádio-Globo-SP" (30/09/1978, p.28).

- Como de costume, os produtores do Globo Repórter enviaram o programa um dia antes de sua exibição, para a Censura do Rio, como contou Paulo Gil Soares na matéria do Jornal Brasil, intitulada "Wilsinho Galiléia - censura explica a proibição: 'não é filme para entrar em casa de família". Mas, desta vez, ela não teve autonomia para fazer a liberação do programa, que foi enviado para Brasília, no mesmo dia em que iria ser exibido. Depois de muita insistência, cinco censores (normalmente ia um) foram à sede da emissora no Jardim Botânico e solicitaram que Wilsinho Galiléia só fosse exibido às 23 horas - e não às 21 horas quando o programa ia ao ar tradicionalmente.

- Às 16 horas, veio o comunicado oficial de que o programa não poderia ser exibido. Rogério Nunes, chefe da Censura Federal, respondeu ao jornal que o filme foi proibido "devido à sua mensagem não se adaptar para a televisão" (Jornal do Brasil, 02/11/1978, p.09). Ele ainda completa que o documentário também não poderia ser exibido no cinema. Mesmo assim, a emissora solicitou a avaliação do então ministro da Justiça, Armando Falcão, como conta Andrade (1998: 66), mas ele confirmou: "esse filme não vai passar nas casas da família brasileira".

- Proibido, tornou-se um filme maldito, exatamente por ter criado um problema de relacionamento da TV com o regime tutelar dos militares.

- O cineasta lembra que uma seqüência do filme causou bastante polêmica. Foi aquela em que, intercalada com imagens - dramatizadas por atores - que mostram a violência dos atos do criminoso e ele brincando num parque de diversões, traz também vizinhos e seus conhecidos do bairro da periferia de São Paulo, falando entre outras coisas que "ele era matador, mas também era ser humano". Patrícia, mulher do seu comparsa Chiquinho, diz: "Ele era triste. Dava até pena, porque parece que ele tinha complexo da vida que ele levava. Ele dizia que só roubava carrão. Carrão que ele dizia é Opalla, Dodge Dart. Ele adorava Dodge Dart. Ele gostava de parecer filho de papai". Com cenas de Wilsinho (Paulo Wuedes), a voz em off da amiga continua: "Ele adorava a fama. Ele adorava aparecer em jornal. Ele fazia tudo isso para aparecer em jornal. Todo dia ele comprava o jornal pra ver se tinha alguma coisa dele".

- Por causa de inúmeros problemas com a Censura, este filme nunca foi exibido comercialmente nos cinemas.

- Fontes: "Imagens censuradas: o Globo Repórter e a censura à televisão - o caso Wilsinho Galiléia (1978) " de Igor Sacramento, e "Dicionário de Filmes Brasileiros" Antonio Leão da Silva Neto.

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