Afonso
Brazza
- Nome Completo: José Afonso dos Santos
Filho
- Natural de: São João do Piauí,
Piauí, Brasil
- Nascimento: 1955
- Falecimento:
Filmografia - Diretor
2002 -
Fuga
sem Destino
2001 -
Tortura
Selvagem - A Grade
1998 - O Eixo da Morte
1995 - Gringo não perdoa, mata
1993 - Inferno no Gama
1991 - Santhion Nunca Morre
1985 - Os Navarro
1982 - O Matador de Escravos
Prêmios
-
Curiosidades
- Era conhecido como o Rambo do Cerrado.
- Em 1969, aos 12 anos, Brazza decidiu "ganhar o mundo"
e sair do Gama, um tanto inspirado em filmes vistos nas sessões
abertas de algum ministério. Com pais vindos do Piauí,
eram fazendeiros, mas decidiram tentar a vida no Planalto
Central , viveu uma infância difícil, já
que seu pai abandonou a família quando o diretor tinha
cinco anos.
- Com o dinheiro acumulado da venda de picolés, Brazza
se vestiu com uma roupa social e burlou a vigilância,
chegando de ônibus à antiga rodoviária
paulistana. Acabou parando no Brás, onde José
Mojica Marins mantinha um escritório. O criador do
Zé do Caixão simpatizou com Brazza, o que fez
com que ele começasse a trabalhar junto ao meio cinematográfico.
- À tarde ia para a Boca, depois de trabalhar de manhã
em uma pastelaria. Fazendo amizades, foi inicialmente trabalhando
na equipe técnica e até no elenco de diversas
produções assinadas por David Cardoso, Tony
Vieira e Ozualdo Candeias.
- Em O Trapalhão no Planalto dos Macacos foi um dos
macacos.
- Percebendo a decadência da Boca, Brazza e sua mulher
resolvem se estabelecer próximos a Brasília
e começam a rodar seus longas-metragens.
-Seu primeiro, Procurador Jefferson, O Matador de Escravos
(1982), foi filmado em matagal próximo à cidade
do Gama, onde vivia há quase quatro décadas.
Como não teve recursos para finalizá-lo, vendeu
a um desconhecido que se apresentou como produtor argentino
e sumiu com o filme.
- Tortura Selvagem teve ajuda do governo do Distrito Federal
e custou R$ 240 mil. Um recorde para o padrão de Brazza.
Em Brasília, o filme se manteve em uma sala de shopping-center
por quatro semanas, com mais de dois mil ingressos vendidos.
Performance melhor que a dos concorrentes Memórias
Póstumas, de André Klotzel, e Domésticas,
de Fernando Meireles e Nando Olival.
- Este filme tem as estréias de Liliane Roriz, filha
do governador do Distrito Federal Joaquim Roriz. O deputado
federal e apresentador de TV Ricardo Noronha e os roqueiros
Rodolfo e Digão, da banda brasiliense Raimundos. Outros
que também dão o ar da graça, Luciano
e Rodrigo Verri, da Verri & Verri Produções,
Gustavo Ceará, da Forrock, e mais de 200 figurantes.
Ninguém ganhou cachê. A única exceção
foi Zé do Caixão, que levou R$ 700 por um dia
de filmagem.
- A paixão do bombeiro pelo cinema se confunde com
a paixão por Claudete Joubert. Brazza ainda era adolescente
quando viu no Cine Itapoã, praça central da
cidade do Gama, Gringo, o último matador, de Tony Vieira,
estrelado pela loura Claudette. A atriz tinha começado
no cinema em 1971, ao lado de Vera Fischer no pornô-policial
As fêmeas, de Fauzi Mansur.
- O casal Brazza e Joubert estreou em Inferno no Gama (1993),
o filme-síntese da proposta Brazza. Com parcos recursos,
o cineasta filmava com negativo quase vencido, que é
mais barato. E pior: a fotografia acabou avermelhada, como
a de Sven Nykvyst para Gritos e Sussurros, de Ingmar Bergman.
- Deixou o quartel de Bombeiros do Gama, cidade-satélite
de Brasília, e foi transferido para a Casa Militar
do governo do Distrito Federal. “Já apaguei muito
fogo. Agora faço serviços burocráticos”,
diz. Os R$ 1.400 de salário como soldado mais o dinheiro
do cinema lhe dão renda mensal de R$ 4 mil.
- Um bom exemplo é uma sequência de Inferno no
Gama, seu quarto filme, na qual o herói monossilábico
e carrancudo, encarnado por Brazza, é claro, deita
uma enorme pedra na cabeça do bandido fortão,
que cai num lago com a pedra boiando a seu lado. A pedra era
de papelão e o diretor nem se deu conta do erro. Percebeu
a mancada só quando ouviu uma explosão de gargalhadas
na estréia do filme.
- Experts na obra do diretor dizem que seu filme-síntese
é Inferno no Gama,Gama é uma cidade satélite
de Brasília, onde fica a casa e o quartel-general do
diretor. Para se ter uma idéia do estilo Brazza de
filmar, a história começa com uma luta de boxe
numa praça, enquanto passam os letreiros nos quais
o diretor se multiplica: assistente de câmera, José
Afonso Filho; diretor de produção, Brazza Filho;
roteiro e direção, Afonso Brazza. Corte para
uma mulher andando calmamente num lugar ermo, sem notar que,
quase colado a ela, vem um bando mal encarado que a mata sem
o menor motivo. Novo corte e surge o personagem Régis
(Brazza) descobrindo o corpo. Seguem-se muitos tiros e lutas.
Um dos figurantes morre. é o fim dele? Não.
Como precisava de gente no filme, o mesmo homem reaparece
mais tarde para morrer novamente. Sempre estrebuchando no
chão.
- Certa vez, sem condições de alugar um bom
equipamento, arrumou um velho refletor em São Paulo
para iluminar seu personagem que fora amarrado a uma árvore
pelos bandidos, numa das raras cenas noturnas de suas fitas.
Assim que ligaram o refletor, o aparelho explodiu, espalhou
fogo e ninguém sabia o que fazer com o herói
amarrado. Pânico inicial debelado, Brazza não
se preocupou. Iluminou a cena com farol de carro.
- Segundo Brazza, todas as balas têm um motivo. Ele
mesmo fabricava as balas que dos meus filmes. Como o seu cinema
era dublado, ou seja, o som era incluído depois, precisava
de material de qualidade. Já saia até tocha
do bico do revólver. "E eu só preciso dar
veracidade às cenas porque o público tem de
acreditar que o tiroteio é de verdade. E os atores
também, para poder interpretar".
- Faleceu à noite de 29 de Julho de 2003, no Hospital
de Base da capital, vítima de parada cardiorrespiratória
causada por um câncer no esôfago.
- Perguntado sobre a fama, respondeu: "Eu não
quero fama. Eu quero estar sempre na memória das pessoas,
mas lentamente. A fama leva à destruição,
é instantânea e, por isso mesmo, faz mal, faz
você passar por cima de tudo, inclusive dos amigos.
A fama é curta. Eu quero admiração e
respeito. é uma fama simples, do meu jeito".