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Cinema Brasil Em Foco

por Livia de Almeida Nascimento

Zuzu Angel

dire��o de S�rgio Rezende.

Zuzu Angel foi sem d�vida uma daquelas mulheres fortes que marcam toda uma gera��o. Sua hist�ria envolve fatos pol�ticos graves e ela p�de, mediante o sumi�o do filho, usar seu trabalho para combater problemas que todo brasileiro desejaria n�o ter. N�o � dif�cil perceber ent�o como p�r na telona parte da biografia de algu�m que se destaca � algo delicado, devendo ser cuidadosamente estudado para que n�o falte credibilidade no filme. Toda a pesquisa � essencial e os demais aspectos cinematogr�ficos devem estar em sincronia, por�m como o que mais aparece � o que os atores defendem em cena, aten��o especial deve ser dada � humaniza��o dos fatos frente �s c�meras.

Na maior parte do tempo, o que constr�i o suspense de Zuzu Angel � a trilha sonora, n�o a atua��o. S� vemos Patr�cia Pilar de fato quando Zuzu se exalta, mas infelizmente antes disso os di�logos s�o constru�dos demais, faltando emo��o � maioria dos personagens. Daniel de Oliveira tamb�m s� aparece como Stuart ao chorar dizendo que S�nia foi presa, enquando Leandra Leal faz seu papel de forma expressiva desde antes, contrastando com o namorado. Quem se destaca nesse meio � Alexandre Borges, que imprime no advogado Fraga a paix�o que n�o foi instru�da ou permitida aos atores e que falta, por exemplo, na cena em que Zuzu pega o microfone no avi�o para falar do filho. Ali�s, inclusive entre os dois isso � bem percept�vel: no baile, Fraga � t�o mais convincente que mesmo quando avisa que vai falar de Stuart, o espectador fica vidrado nele, enquanto � a express�o facil de Zuzu que muda.

O roteiro � bom, mas Zuzu declarar o que escreve de forma for�ada para a c�mera j� indica que h� ali uma dose extra de inten��o dram�tica. Parece funcionar como um risco mal calculado, pois ilude o espectador a esperar ver a mesma intensidade ao longo do filme. Falta informa��o visual tamb�m, como quando vemos que na constru��o da trama, Zuzu vai em apenas dois lugares � procura do filho e isso basta para que ela tome provid�ncias maiores, alegando que a �todos os lugares� que vai, n�o encontra Stuart. H� ainda escolhas duvidosas, como a imagem da �gua descendo pela m�o de Zuzu, que toma banho ao saber da morte do filho, tornando visualmente bonita uma cena de total tortura para a personagem. Por�m, h� boas sacadas, como a presen�a de Elke Maravilha cantando em alem�o, sendo observada por Luanna Piovanni, que interpreta seu papel. Ou o desfile em que todas as modelos est�o de branco, enquanto Zuzu aparece de preto. Isso, no entanto, tem cara de ter sido uma verdade bem bolada por ela, mais do que id�ia de cinema. Al�m disso, a m�sica nessa hora n�o � t�o bem vinda, e o sil�ncio presente em outras partes do filme seria melhor nessa cena.

A equipe � experiente em cinema, e os mais de 40 cen�rios do filme est�o bem representados, sendo parte gravado em Juiz de Fora (MG), aproveitando por exemplo a loca��o da UFJF para constru��o de v�rios espa�os. O figurino e a maquiagem tiveram grande base de pesquisa no pr�prio trabalho de Zuzu, prato cheio que colaborou imensamente para a est�tica do filme, culminando em reuni�es entre S�rgio, o produtor Joaquim Vaz Pereira, a figurinista Kika Lopes e o diretor de arte Marcos Flaksman para pensar visualmente o roteiro. Patr�cia Pillar conta que aprendeu a costurar, ficando em Juiz de Fora direto para aprofundar a personagem, estud�-la e talvez racionaliz�-la at� demais. S�rgio pretendia contar a hist�ria de m�e e filho, mas s� entendemos isso assistindo ao Making Of, pois o foco a todo momento parece ser Zuzu. O Extra do DVD acrescenta qualidade ao trabalho pelo cumprimento simples de sua fun��o, apresentando entrevistas, cenas espont�neas de grava��o, fotos e um mosaico com a imagem dos atores, de onde cada um fala um pouco.

Uma hist�ria forte, com bons atores e texto, mas que � mostrada de forma quase artificial, onde o potencial criativo do elenco n�o parece ter sido explorado. � como se S�rgio tivesse que ser lembrado do valor dos atores, cedendo espa�o a eles mais do que realmente dirigindo a cena. Mesmo sutilidades e ironias de seu roteiro junto com Marcos Bernstein passam por vezes desapercebidas pelas falhas de sensibilidade ao fazer o filme. Zuzu Angel provavelmente foi mais forte em vida do que na sua representa��o, assim como fica no ar que a leitura em grupo com todo o elenco antes da filmagem tem grande chance de ter sido dramaticamente melhor do que o resultado final.

Por Livia de Almeida Nascimento, Agosto de 2009.

Livia de Almeida Nascimento cursa Dire��o Teatral, � cin�fila, escreve, fotografa, desenha, produz, pesquisa, cria, observa... Est� em plena efervesc�ncia profissional e � colunista e colaboradora do site Meu Cinema Brasileiro.

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