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Estrada Real Da Cachaça

Estrada Real Da Cachaça é um caminho, uma viagem. Espécie de road-movie espaço-temporal, o filme busca um reencontro com a realidade nacional através da mais brasileira das bebidas, a cachaça. Trata-se de uma investigação histórica, antropológica, sócio-econômica e poética que procura, ao longo da chamada Estrada Real, articular fragmentos significativos da trajetória da nação. Estrada Real da Cachaça propõe a reatualização de um percurso ancestral com o objetivo de mapear a presença da cachaça na cultura brasileira.

Ficha Técnica

Título original: Estrada Real Da Cachaça
Gênero: Documentário
Duração: 98 min.
Lançamento (Brasil): 2009
Distribuição:
Direção: Pedro Urano
Assistência de direção: Marina Fraga
Roteiro: Pedro Urano
Produção: Tarcísio Vidigal, Lúcia Fares, Pedro Urano
Produção executiva: Daniela Arantes
Direção de produção: Maria Flor Brazil, Bárbara Lito
Assistentes de Produção: Ana Carolina Monteiro de Barros, Cristiane Carlos, Verônica Evangelho
Co-produção: Alice Filmes, Grupo Novo de Cinema e TV
Música: Aurélio Dias
Som: Altyr Pereira, Bruno Espírito-Santo, Michel Messer, Nicolas Hallet, Pedro Moreira
Fotografia: Pedro Urano
Assistente de câmera: Gustavo Pessoa
Fotografia Adicional: Gustavo Pessoa
Edição: Ava Rocha
Animação: Rodrigo Amin, Daniel Canela
Letreiros: Rodrigo Amin, Daniel Canela

Elenco

não divulgado

Pôsters

Premiações

- Melhor Filme Documentario, Juri Oficial, Première Brasil – Mostra competitiva/DOC no Festival do Rio, 2008;

- Premio Tato Miller, Melhor Documentario no Festival de Mar del Plata, 2008.

Curiosidades

- Com Estrada Real da Cachaça, Pedro assina seu primeiro longa-metragem como diretor.

- Pedro Urano é diretor de fotografia e realizador. Entre outros trabalhos que assina a fotografia, vale citar os curtas MURO [Prêmio ‘Regard Neuf’ da Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes 2008] e Quimera, selecionado para a mostra competitiva de Cannes 2004 e Sundance 2006.

- Selecionado para o Festival de Locarno, 2008.

- "As bebidas alcoólicas mantém uma pouco estudada relação com o imaginário (e a cultura) dos povos que as criaram e consomem. Isso pode ser observado no Japão, com o saquê; na Rússia, com a vodka; no México, com a Tequila; na Escócia, com o whisky; na Alemanha, com a cerveja. No Brasil, bebemos cachaça.
Se produz cachaça por todo o território brasileiro, mas, atualmente, Minas Gerais é o estado brasileiro mais famoso pela qualidade da cachaça que produz. Este é um dado que sempre me intrigou. A cana-de-açúcar, trazida pelo colonizador português, foi o primeiro produto agrícola brasileiro. Àquela época, toda a costa brasileira era uma imensa lavoura de cana. Não demorou muito para alguém ter a idéia de destilar o suco da cana fermentado. É aí que, em 1600, Paraty, no sul do estado do Rio de Janeiro, já exportava cachaça para todo o Atlântico Sul! Acontece que Minas Gerais fica no interior, no sertão. A lavoura de cana não chegou até lá.
No século XVIII, descobre-se ouro no interior do país e aí tem início uma corrida do ouro na direção das chamadas minas gerais. Os perigos eram muitos: animais ferozes, uma natureza estranha e hostil para o europeu e índios bravios que não toleravam a invasão de suas terras. Os portugueses não iam sozinhos, faziam-se acompanhar por brasileiros: em geral, filhos de pai português e mãe indígena. E os brasileiros também não iam sós. Estes, só admitiam entrar na mata acompanhados de uma boa cachaça.
Isso explica um pouco a ciência da cachaça tão desenvolvida em Minas Gerais, no interior do país. Agora, vejam como, para falar um pouco da cachaça, acabei por traçar um breve panorama da história do Brasil. É que a cachaça nasce com Brasil e confunde sua história, sociologia, economia e cultura com a do país que ajudou a construir. Pois o Brasil nasce quando o descendente do português deixa de lado o vinho (quente e avinagrado após a longa travessia do Atlântico) e passa a apreciar a bebida da sua terra, a cachaça.
Em Estrada Real Da Cachaça, reconstruo esse percurso. Refaço esse caminho. E é esse caminho, a Estrada Real, que estrutura o filme, como num road-movie. O filme é uma viagem no espaço – sai do sertão e vai até o Rio de Janeiro, no litoral. E o filme também é uma viagem no tempo. Porque não se trata de um documentário histórico convencional. Essa história é contada pelas mais de cem pessoas que participam do filme. Pelas lembranças dessa pequena multidão. E pelos vestígios materiais e imateriais dessa trajetória.
Dessa maneira, através da Cachaça, acredito que consegui revelar um pouco do enigma do Brasil. Esse país continental, miscigenado: esse país embriagado. Não se trata de resolver o enigma. A tarefa consiste em ver o enigma! Ou seja: de ultrapassar uma visão folclórica, pitoresca, caricata para alcançar uma perspectiva original, ‘de dentro’. Estrada Real Da Cachaça não é um documentário sobre algo, é um documentário através de algo, através da cachaça. É um caminho, uma estrada, um percurso." - comentário do diretor Pedro Urano

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