Iracema uma Transa Amazônica

O filme é na realidade um auto-retrato da população da Transamazônica.
Retrata realisticamente os problemas da região. Conta a história
de uma menina do interior, que vai a Belém com a família para
pagar promessa na festa do Sírio Nazaré. O novo meio e as
companhias que encontra levam a menina à prostituição. Conhece
num cabaré um motorista de caminhão Tião Brasil Grande, negociante
de madeira. Influenciada pelas outras prostitutas ela quer
ir para os grandes centros ( São Paulo e Rio) e pega carona
com o motorista.
Ficha Técnica
Título original: Iracema uma Transa Amazônica
Gênero: Documentário/Drama
Duração: 90 min.
Lançamento (Brasil): 1981
Distribuição: Embrafilme
Direção: Jorge Bodanzky e Orlando Senna
Roteiro: Orlando Senna
Argumento: Jorge Bodanzky e Hermano Penna
Produção: Orlando Senna
Produtor associado: Wolfgang Gauer, Maku Alecar e Achim Tappen
Música: Jorge Bodanzky
Som: Achim Tappen
Fotografia: Jorge Bodanzky
Assistente de câmera: Francisco Carneiro
Desenho de produção: Orlando Senna
Edição: Eva Grundman e Jorge Bodanzky
Elenco
Edna de Cássia (Iracema)
Paulo
César Pereio (Tião)
Conçeicão Senna
Rose Rodrigues
Fernando Neves
Sidnei Piñon
Natal
Elma Martins
Wilmar Nunes
Lúcio dos Santos
Pôsters
Premiações
- Em 1975 foi considerado o melhor filme em exibição na Europa.
Ganhou entre outros o "Prix George Sadoul" (Paris), o "Adolf
Grimme Preiss" (Alemanha), o "Encomio Taormina" (Itália) e
o "12º Reencontre Film et Jeunesse" ( Premio Especial - Cannes
Melhor Filme 78 - ACCMG). Em 1978, a Associação de Críticos
Cinematográficos de Minas Gerais, o elegeu melhor filme do
ano, durante uma mostra de filmes proibidos e a última premiação
foi de melhor filme, melhor atriz (Edna de Cássia)e melhor
coadjuvante (Conceição Senna) no Festival de Brasília em 1980.
Curiosidades
- O filme foi liberado sem cortes em 7 de novembro de 1979
por decisão do Divisão da Censura, Sr. José Madeira. Depois
de uma discussão, em que se duvidou até da nacionalidade do
filme, vem a luz da exibição comercial a primeira obra de
um gênero não tão incomum, o documentário - ficção.
- Proibido no Brasil desde sua realização, em 1974, foi exibido
em diversos países da Europa durante os anos em que esquentou
as prateleiras da Censura.
- Exibido clandestinamente em 1978 numa mostra de filmes proibidos,
em Minas Gerais.
- O filme foi lançado em circuito comercial no dia 30 de março
de 1981 nos cinemas Caruso, Rio, e Cinema1 em Niterói.
- Em 1981com 21 anos, descoberta pelo diretor num programa
de auditório a atriz do filme Edna de Cássia é uma lavadeira
e vive na mais extrema miséria num cortiço de madeira em Belém,
onde luta com dificuldade para criar seu filho de 3 anos de
idade. Edna Cereja, esse seu verdadeiro nome vive na vida
real a miséria que representou no cinema. Para ela, o sonho
de ser atriz acabou quando terminou o filme.
- (...) Infelizmente, com um atraso que o prejudicou, cinematograficamente
o filme foi vulnerado pelo tempo. Fazer Iracema em 74 representava,
de fato, grande risco. Mas hoje o objeto de sua denúncia deixou
de ser prioritário na escala de preocupação dos brasileiros.
Mas a verdade é que embora padeça de falsa espontaneidade
na encenação de sua denúncia, e seja esquemático na analise
dos fatos, "Iracema" tem garra sociológica. E consegue traçar
com inequívoca sinceridade um painel da pobreza de uma população
que ficou à margem da História (...) (crítica da época de
José Carlos Monteiro no O Globo em 31 de março de 1981)
- Sinopse extendida:
O filme é na realidade um auto-retrato da população da Transamazônica.
Retrata realisticamente os problemas da região. Conta a história
de uma menina do interior, que vai a Belém com a família para
pagar promessa na festa do Sírio Nazaré. O novo meio e as
companhias que encontra levam a menina à prostituição. Conhece
num cabaré um motorista de caminhão Tião Brasil Grande, negociante
de madeira. Influenciada pelas outras prostitutas ela quer
ir para os grandes centros ( São Paulo e Rio) e pega carona
com o motorista. Saem pela Transamazônica, testemunhando toda
a espécie de acontecimentos e dramas que a construção da estrada
impôs aos habitantes locais. Abandonada pelo motorista num
bordel à beira da estrada, a jovem se vê diante de uma realidade
cada vez mais chocante e decadente.