O Pagador de Promessas

Zé
do Burro e sua mulher Rosa vivem em uma pequena propriedade
a 42 quilômetros de Salvador. Um dia, o burro de estimação
de Zé é atingido por um raio e ele acaba indo a um terreiro
de candomblé, onde faz uma promessa a Santa Bárbara para salvar
o animal. Com o restabelecimento do bicho, Zé põe-se a cumprir
a promessa e doa metade de seu sítio, para depois começar
uma caminhada rumo a Salvador, carregando nas costas uma imensa
cruz de madeira.
Ficha Técnica
Título original: O Pagador de Promessas
Gênero: Drama
Duração: 95 min.
Lançamento (Brasil): 1962
Estúdio: Cinedistri
Distribuição: Lionex Films e Embrafilme
Direção: Anselmo
Duarte
Assistentes de direção: José Teles
Roteiro: Anselmo Duarte
Produção: Oswaldo Massaini
Gerente de produção: Roberto Ribeiro
Assistente de produção: José Teles
e Ruy Rosado
Fotografia: Henry Chick Fowle
Câmera: Geraldo Gabriel
Assistente de câmera: Marcial Alfonso Fraga
Música: Gabriel Migliori
Direção de arte: José Teixeira de Araújo
Edição: Carlos Coimbra
Sonografia: Carlos Foscolo
Assistente de som: Juarez Costa
Continuidade: Adelice Araújo
Laboratório: Rex Filme
Elenco
Leonardo Villar (Zé do Burro)
Glória Menezes (Rosa)
Dionísio
Azevedo (Padre Olavo)
Norma
Bengell (Marli)
Geraldo Del Rey (Bonitão)
Roberto Ferreira (Dedé)
Othon
Bastos (Repórter)
João Desordi (Detetive)
Américo Coimbra
Gilberto Marques (galego)
Carlos Torres (monsenhor)
Antônio
Pitanga (Mestre Coca-capoeira)
Milton Gaúcho (guarda)
Irenio Simões (secretário do jornal)
Enock Torres (delegado de polícia)
Maria Conceição (Minha tia-Mãe de Santo)
Walter da Silveira (bispo)
Napoleão Lopes Filho (bispo)
Velvedo Diniz (sacristão)
Cecília Rabelo (beata)
Jurema Penna (beata)
Alair Liguori (beata)
Canjiquinha e sua Academia de Capoeira
povo de Salvador da Bahia
Pôsters
Premiações
- Recebeu uma indicação ao Oscar, na categoria de Melhor Filme
Estrangeiro, 1963.
- Palma de Ouro no Festival de Cannes, França (Melhor
longa-metragem), 1962;
- Festival Internacional de São Francisco, Estados
Unidos (Melhor filme) prêmio Darius Milhaud e melhor
música (Golden Gate),1962;
- Prêmio Sapatos Viejos, Festival de Cartagena, Colômbia,
1962;
- Prêmio Cabeza de Palanque, Festival de Acapulco, México,
1962;
- Prêmio Especial de Bucareste, Romênia, 1962;
- Prêmio Crític's Award, Festival Internacional
de Edimburgo, Escócia (Diploma de mérito), 1962;
- Menção Honrosa, Festival de Sestri-Levante,
Itália, 1962; Menção Especial, Festival
de Locarno, Suiça, 1962;
- Menção Honrosa, Festival de Toronto, Canadá,
1962;
- Menção Honrosa, Festival de Karlovy-Vary,
Tchecoslováquia, 1962;
- Menção Especial, Festival de Moscou, Russia,
1962;
- Melhor filme, produtor (Oswaldo Massaini), ator (Leonardo
Villar) e prêmio especial (Anselmo Duarte e Dias Gomes),
prêmio Saci, São Paulo, 1962;
- Melhor filme, produtor (Oswaldo Massaini), diretor, ator
(Leonardo Villar) e argumento (Dias Gomes), prêmio Governador
do Estado de São Paulo, São Paulo, 1962;
- Melhor filme, diretor, ator (Leonardo Villar), atriz (Norma
Bengell), ator secundário (Geraldo del Rey) e revelação
(Glória Menezes), V Festival de Cinema de Curitiba,
Paraná, 1962;
- Melhor diretor, ator (Leonardo Villar), atriz (Glória
Menezes), ator secundário (Roberto Ferreira), menção
honrosa (Norma Bengell), argumento (Dias Gomes), fotografia
(H.C.Fowle), composição (Gabriel Migliori) e
edição (Carlos Coimbra), prêmio Cidade
de São Paulo, Júri Municipal de Cinema, São
Paulo, 1962;
- Melhor filme, diretor, ator (Leonardo Villar) e atriz (Glória
Menezes), troféu Cinelândia, Rio de Janeiro,
1962.
Curiosidades
- Baseado em peça teatral de Dias Gomes.
- Filmado em Salvador, estado da Bahia.
- Estréia no cinema do ator
Othon Bastos
- A idéia do filme começou numa noite quente
do verão de 1961, quando Anselmo Duarte foi ao TBC
assistir à peça de Dias Gomes, encenada por
Flávio Rangel, com Leonardo Vilar e Natália
Timberg nos papéis principais.
-
O Pagador de Promessas foi o primeiro e até agora o único
filme brasileiro a ser premiado com a Palma de Ouro no Festival
de Cannes.
- Para obter os direitos de filmagem, Anselmo Duarte teve
de vencer a resistência do teatrólogo Dias Gomes,
que relutava em ceder seu texto ao diretor de apenas um filme,
"Absolutamente certo". Um êxito popular de
bilheteria. Além disso, disputou o texto com um consagrado
diretor de teatro: Flávio Rangel.
- Os direitos de adaptação foram comprados por
400 cruzeiros, o preço mais alto até então
pago por uma adaptação brasileira. O filme custou
apenas 20 milhões.
- Odete Lara foi a primeira atriz convidada por Anselmo Duarte
para um dos principais papéis femininos do filme. Por
motivos contratuais, não pôde participar e, mais
tarde, se arrependeu amargamente.
-"O
pagador de promessas" foi exibido na Casa Branca, em
17.12.1962 e entusiasticamente aplaudido pelo presidente Kennedy,
diplomatas e jornalistas.
- Quando o filme o Pagador de Promessas ganhou Palma de Ouro,
teve que lutar contra muito mais que outros filmes. O Embaixador
em Paris e o Itamaraty não acreditavam realmente no
cinema brasileiro. O filme venceu oito concorrentes na comissão
de seleção de filmes do Itamaraty, foi selecionado.
Mas o pessoal do Rio de Janeiro não sabia que em Paris
o Embaixador, a ponto de não emprestar a bandeira do
Brasil para o festival.
- O problema da bandeira foi resolvido quando Anselmo Duarte,
foi a procura de material para costurar uma bandeira com sua
irmã. Mas encontraram um uma casa a bandeira hasteada,
era a casa do Doutor Armando Fonseca. Porém a bandeira
não tinha era da metade do tamnho do padrão,
e pela primeira vez só se hasteou a bandeira do vencedor,
as outras ficaram cerradas, caso fossem tambem abertas veriam
que ela era menor. Para acompanhar o hasteamento foi arranjado
um disco, levado por Oswaldo Massaini, produtor do filme.
- Glauber Rocha foi de grande importância para O Pagador
de Promessas, pois ele apresentou Anselmo Duarte ao prefeito,
que era o Antônio Carlos Magalhães. Foi ele que
arrumou o Corpo de Bombeiros para as filmagens, foi assistente
de produção.
- Após o recebimento do prêmio em Cannes, o diretor e a equipe
do filme que viajou até o Festival foi recebida com um desfile
público em carro aberto, ao desembarcar no Brasil.
- Canções:
"Cisne branco" (Antônio M.E.Santo e Benedito
X.de Macedo);
"Dorinha meu amor" (José Francisco de Freitas);
"Exaltação à Bahia" (Chianca
de Garcia e Vicente Paiva).