Que Bom Te Ver Viva

Vinte anos depois, como vivem as ex-presas políticas brasileiras?. Que bom te ver viva quer responder a esta pergunta, entrevistando oito mulheres que enfrentaram a tortura e a prisão decorrentes do golpe de 1964 e intercalando estes depoimentos com delírios e fantasias vividas pela atriz Irene Ravache. Nesse misto de documentário e ficção, a resposta tem duas versões: a loucura e a sobrevivência. Quem enlouquece, tem direto à internação e ao isolamento. De quem sobrevive, cobra-se o esquecimento. A tortura fica em segundo plano. A sociedade reduz tudo ao silêncio - mas a ex-presa sabe que, mesmo em silêncio, terá que conviver por toda a vida com a experiência por que passou.
Ficha Técnica
Título original: Que Bom Te Ver Viva
Gênero: Semi-Documentário
Duração: 100min.
Lançamento (Brasil): 1989
Distribuição: Embrafilme
Direção: Lúcia Murat
Roteiro: Lúcia Murat
Assistente de Direção: Adolfo Orico Rosenthal
Produção: Lúcia Murat
Direção de Produção: Kátia
Co-produtor: Maria Helena Nascimento
Direção de Fotografia: Walter Carvalho
Co-produção: Taiga Produções Visuais e Fundação do Cinema Brasileiro
Música Original: Fernando Moura
Trilha Sonora: Aécio Flávio
Arranjos: Aécio Flávio
Som direto: Heron Alencar
Mixagem: Roberto Leite
Direção Artística: Adolfo Orico Rosenthal
Cenografia: Beatriz Salgado
Figurinos: Beatriz Salgado
Montagem: Vera Freire
Elenco
Irene Ravache
Pôsters
Premiações
- Melhor Filme (júri oficial e popular), Atriz (Irene Ravache, dividido com André Beltrão, por Minas Texas), Montagem (Vera Freire), Prêmio da Crítica, Prêmio Especial do Júri (Roberto Leite - Montagem), Fotografia (Walter Carvalho), XXII Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, DF, 1989
- Melhor Filme, Atriz (Irene Ravache) e Prêmio Especial do Júri, VI Rio-Cine-Festival, RJ, 1990.
Curiosidades
- Uma maneira diferente de fazer um documentário autobiográfico sobre tortura de mulher, a diretora Murat foi uma militante política dos anos 60, passou dois meses sendo torturada no DOI-CODI e mais três anos presa por ter idéias próprias, Irene Ravache, que ganhou todos os prêmios daquele ano, conduz os depoimentos reais sobre o tema, relembrando de forma dramatizada os traumas da tortura no Brasil. "Um filme corajoso, que aborda a tortura de mulheres durante o período de ditadura no Brasil. Mais do que descrever e enumerar sevícias, as imagens mostram o preço que elas pagaram, e ainda pagam, por terem sobrevivido lúcidas àquela cruel experiência" - extraído do folheto publicitário do filme. "Abordar o tema da tortura nunca é fácil. Com freqüência, as pessoas preferem ignorar o assunto, fazer como naquela fábula onde todos fingiam ignorar que 'o rei estava nu'. Mas isso não aconteceu com Lúcia Murat. Em 1988 ela fez um filme sobre mulheres que foram torturadas durante a repressão militar, uma fita de grande sensibilidade, que consegue nos comover, nos chocar, até, por vezes, nos deixar indignados. Mas não dá vontade de parar. Lúcia, como boa jornalista, reuniu uma série de depoimentos de mulheres e alguns amigos e parceiros, que sofreram tortura durante os anos negros da repressão da ditadura militar brasileira. Mas, o que interessa a ela não é a descrição dolorosa dessas torturas, mas como essas mulheres conseguiram sobreviver, dar a volta por cima, reconstruir suas vidas. Tanto que o filme é dedicado, ao final, aos que foram torturados e romperam a barreira da sanidade. Mas a epígrafe de Bruto Bettelheim diz que 'a Psicanálise explica por que se enlouquece, mas não por que se sobrevive'. Com muita sinceridade, essas mulheres contam sua história evitando o melodrama, a pieguice e auto-piedade. Mas o grande achado da diretora foi usar como fio condutor a atriz Irene Ravache, que é um pouco a portavoz da própria realizadora, primeiro se auto-criticando, depois falando diretamente para a câmera, em desabafos sobre sua condição de mulher que sofreu tortura sexual e, por isso mesmo, carrega ainda suas marcas. É um desempenho excepcional de Irene Ravache, que por ele foi várias vezes premiada. O próprio título já exprime um otimismo, mesmo em situações difíceis e improváveis, o ser humano demonstra uma enorme e surpreendente capacidade de sobrevivência e de ser feliz. Lúcia Murat, depois desta bem-sucedida experiência no cinema continuou a trabalhar com sucesso e seus dois últimos filmes foram Doces poderes, de 1996, e Brava gente brasileira, de 2001." - comentário de Rubens Ewald Filho.